Uma aventura... no shopping!
Não posso deixar de relatar uma das minhas últimas experiências pessoais. Confesso que não sou uma daquelas pessoas que se interessam imenso por desportos radicais, de forma a poderem afirmar o seu estatuto "supercool"... Não sou supercool, e as grandes descargas de adrenalina só me fazem lembrar taquicardia e alterações no funcionamento intestinal.
Mas de vez em quando, lá me meto em algumas actividades radicias mais... alternativas (e reparem na escolha inteligente do adjectivo, também com carga cool...). Pois é, e esta actividade específica é contra-indicada para quem tem um coração fraco... Ou pensam que é qualquer pessoa que faz uma VISITA AO SHOPPING NO DIA DA INAUGURAÇÃO?? É verdade. E sobrevivi para contar. Fui ao Fórum Coimbra na manhã da sua abertura ao público. Maldita Rádio Popular, que tenta os pobres mortais com as suas promoções do demo! Afinal, um leitor de DVD todo jeitoso por 19 euros dificilmente passa despercebido, sobretudo quando é impresso num folheto de meio metro e distribuído por todas as casas de Coimbra. Já tinha saudades de ver um filme em família, mas também já sou um bocadinho grande para ver "A bela e o monstro" em VHS. Cassetes recentes já não existem... por isso esta era a oportunidade ideal. Assim sendo, agarrei nos meus dois mapas de apoio, e após a minha colega de casa ter estado meia hora a tentar explicar-me em que rua eu tinha de entrar, lancei-me à aventura.
Ao contrário do esperado, encontrei o sítio com facilidade. Mas o pior estava (obviamente) por vir.
1. Estacionar
O estacionamento podia ter as mesmas dimensões do que a área ardida em Portugal em 2005, que mesmo ia lotar. E olhem que aquele já é bem grandito. Ouvi dizer de alguém que esteve 35 minutos só para parar o carro. Ao contrário do que sempre me acontece, consegui arranjar um lugar sem dificuldade e ao pé da porta de entrada!! Isto após me ter enganado na direcção para subir de piso.
2. Encontrar o que se quer
Tendo em conta que tive sorte e entrei logo ao pé da Rádio Popular, o problema sequinte foi encontrar o que queria. Ainda bem que me preparei psicologicamente para o que ia encontrar: Tinha aberto a caça à bagatela. É que o DVD não era a promoção-mor... O folheto tinha em 1a página uma série de artigos a 1 euro: um ferro a vapor, uma varinha mágica, e sei lá mais o quê! Sei que as pessoas ficaram loucas, já andavam por lá a guardar montes de caixas, de forma a proteger os seus achados das outras hienas de 50 anos e permanente que por lá andavam. Acreditem que a coisa podia ficar perigosa... Mas não fiquei para ver! Tentei ignorar a confusão que me rodeava e segui a todo o vapor, corredor a corredor, em busca da minha própria pechincha. Milagre, aleluia, consegui chegar a tempo de ter uma caixa só para mim!
3. Filas
Eu sei que há muito desemprego em Portugal, mas aquilo era ridículo. Que raio de vida tinha aquela gente toda para estar ao meio dia a perder tempo naquela loja?? No meu caso tinha a manhã livre e dei-me ao trabalho... mas a maioria dos estudantes esperam que os seus pais encontrem bagatelas para eles, naõ se levantando antes do meio dia e meio nem para ver um eclipse total do sol com direito a chuva de estrelas e passagem do cometa Halley. Ou seja... o shopping estava cheio de pessoas reformadas e perfeitamente desocupadas, criando ali filas de dezenas e dezenas de pessoas. Preferi nem contar o tempo que estive para pagar. Sei que a meio tive de mudar de fila porque não li as letras miúdas "exclusivo produtos 1euro"... Sem comentários. Mas é claro que depois me meti numa fila onde só tive 2 segundos de sossego. Logo vieram para trás de mim um casal de reformados, uma criança de uns 2 anos e respectiva mãe. A família feliz no shopping. Para além da respeitável senhora reformada se ter estado constantemente a enconstar a mim com a pressa de avançar, e não me deixar sequer espaço para coçar o meu próprio rabo, tive de ouvir as conversas do costume: "aquela fila vai mais rápido... grande bicha que está... aquele velho lá a frente é que está a atrasar tudo... aquela vai cheia de caixas... que pena não chegarmos a tempo de apanhar uma varinha... o joãozinho não faças isso... não vás para aí que ainda te levam... está quieto..." (etc etc etc durante mais de meia hora). Sei que o pobre João era provavelmente a criança mais pacata e quietinha que eu vi nos últimos tempos... E não bastou terem-no arrastado para aquele antro de consumidores possessos, que ainda tinha de estar imóvel como um candeeiro de pé.
Enfim, lá paguei finalmente e vim embora. E senti-me verdadeiramente orgulhosa, porque nunca tinha tido a coragem de levar a cabo uma aventura destas... fuiporque tinha um objectivo e não perdi a concentração. O que mais me espantou foi a quantidade de turistas que lá andavam a engrossar a multidão... pessoas que vão só para ver a novidade, ignorando que têm uns 50 anos para ir visitar o shopping. Não compreendo, mas merecem a minha admiração pela coragem.

1 Bitaites:
Gostei muito deste comentário, pois mostra a realidade do consumo compulsivo que as pessoas deste pais! (Ricardinho)
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